Leitor reclama que a Prefeitura de Valença dispensou policiais da reserva das escolas cívico-militares
A decisão da Prefeitura de Valença de dispensar policiais militares da reserva que atuavam nas escolas municipais de modelo cívico-militar pegou a comunidade escolar de surpresa e provocou insatisfação entre pais e responsáveis pelos estudantes.
Segundo um pai de aluno, profissionais, contratados por meio de uma empresa terceirizada, eram responsáveis pela parte disciplinar das unidades escolares e foram informados de que não continuariam exercendo suas atividades a partir desta quarta-feira (21).
A dispensa dos policiais foi avisada nesta terça-feira (20) e atinge as escolas municipais Dário Galvão de Queiroz, Padre José de Souza e Oliveira e Municipal da Baixa Alegre, que adotaram o modelo de gestão compartilhada, com a participação de militares da reserva na organização e disciplina escolar.
Segundo informações encaminhadas à nossa redação, os profissionais não teriam recebido qualquer comunicação antecipada da Secretaria Municipal de Educação ou das direções das unidades. O aviso sobre a demissão teria sido feito por mensagem enviada por um representante da empresa.
A saída dos policiais preocupa as famílias porque, embora as escolas continuem funcionando com seus professores e equipes pedagógicas, a ausência dos militares impossibilita uma das principais características do modelo cívico-militar: o acompanhamento disciplinar dos estudantes.
A decisão acontece pouco tempo depois de a própria Prefeitura de Valença publicar uma licitação para aquisição de uniformes destinados aos alunos e funcionários dessas escolas. Enquanto a administração municipal sinalizava investimentos na identificação e padronização das unidades cívico-militares, agora fragiliza a continuidade da gestão compartilhada.
Não se sabe qual será o futuro do modelo na rede municipal de Valença: se foi extinto ou permanecerá funcionando. Na prática, sem os policiais, a educação cívico-militar não acontece.
Um pai de aluna procurou nossa redação após receber a notícia ao buscar a filha na escola. Ele classificou a decisão da Prefeitura como desastrosa e demonstrou preocupação com as consequências para os estudantes.
Segundo o familiar, o projeto vinha apresentando bons resultados, inclusive oa alunos das três unidades obtiveram melhor desempenho que nas demais escolas da rede municipal, e conquistou a confiança de muitas famílias. Para ele, quem tem filhos ou parentes matriculados conhece a importância do trabalho desenvolvido pelos policiais e sabe o impacto que a retirada desses profissionais poderá provocar na rotina escolar.
Problema já havia provocado protestos em 2025
Não é a primeira vez que o modelo cívico-militar enfrenta incertezas durante a gestão do prefeito Marcos Medrado.
Em março de 2025, famílias de estudantes chegaram a se mobilizar diante da possibilidade de interrupção do projeto. Na ocasião, o ano letivo começou sem a contratação dos policiais militares da reserva e não havia previsão para o retorno dos profissionais às escolas.
A demora em contratar os policiais provocou manifestações e cobranças dos pais, que defenderam a continuidade do modelo. Após a repercussão negativa, o prefeito atendeu à reivindicação das comunidades escolares e os militares voltaram às atividades.
Agora, antes mesmo do encerramento do segundo ano letivo da atual administração municipal, o problema se repete, desta vez com a dispensa dos profissionais que já estavam trabalhando nas unidades.
Até o momento, não foi apresentada à nossa redação uma justificativa oficial para os desligamentos, nem informações sobre uma eventual substituição dos profissionais ou a manutenção das atividades disciplinares nas três escolas.
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