Com medo de derrota por 6 a 5, Pikuí acata manobra para adiar eleição da presidência da Câmara de Cairu
Presidente suspendeu sessão que ele próprio havia convocado após perceber maioria favorável à chapa de Igor Gomes. Vereadores permanecem no plenário e cobram realização da eleição nesta terça-feira (20).
A eleição da nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cairu, prevista para esta terça-feira (20), transformou-se em um impasse político após o atual presidente da Casa, Antônio Damascena, conhecido como Pikuí, interromper o processo eleitoral diante da possibilidade de perder a presidência para o vereador Igor Gomes, que reúne o apoio de seis dos onze parlamentares.
A eleição havia sido antecipada por iniciativa do próprio Pikuí, mediante requerimento votado e aprovado por unanimidade pelos 11 vereadores na semana passada. Após a decisão, o edital de convocação foi publicado no Diário Oficial, formalizando a votação para a escolha da Mesa Diretora do biênio 2027-2028.
O procedimento foi semelhante ao adotado recentemente pela Câmara de Valença, onde o presidente Bertolino Júnior submeteu a antecipação da eleição ao plenário. A proposta foi aprovada e o vereador Benvindo acabou eleito presidente para o próximo biênio.
Em Cairu, porém, o cenário mudou quando Pikuí viu que não tinha votos suficientes para continuar no comando do Legislativo.
A chapa de oposição, liderada por Igor Gomes e tendo Bruno Coutinho como candidato a vice-presidente, conta com o apoio dos vereadores Jouglas, Sérgio das Alves, Merengue e Paulinho. Com o próprio Igor, o grupo soma seis votos, maioria suficiente para vencer a eleição por 6 a 5.
Durante a sessão, Pikuí deixou o plenário. Segundo relatos, o presidente teria buscado orientação política do prefeito Hildécio Meireles antes de retornar com uma proposta apresentada pelo vereador Frank do Amparo, solicitando que a eleição fosse realizada na data originalmente prevista pelo Regimento Interno.
A iniciativa foi interpretada pelos vereadores aliados de Igor como uma manobra de Pikuí para ganhar tempo e tentar reverter o resultado, conquistando pelo menos um dos seis votos atualmente favoráveis à chapa adversária.
O principal questionamento é que Pikuí teria acolhido o pedido de adiamento sem submetê-lo à votação do plenário. Para o grupo de oposição, o requerimento deveria ser apreciado pelos vereadores e não pelo Presidente de forma unilateral.
Igor assume a condução dos trabalhos e vereadores resistem no plenário
Diante do impasse, o vice-presidente Igor Gomes assumiu a cadeira da presidência e passou a conduzir os trabalhos relacionados à apreciação do requerimento apresentado por Frank do Amparo.
Igor, que já presidiu a Câmara de Cairu e possui experiência com o Regimento Interno da Casa, defende o cumprimento da convocação oficial e a realização da eleição ainda nesta terça-feira.
Os seis vereadores da oposição decidiram permanecer no plenário e afirmam que não deixarão o Legislativo sem que a eleição seja realizada. Os demais, neste momento, estão ausentes.
A situação ficou ainda mais tensa após relatos de que funcionários da Câmara teriam recebido ordens para deixar o plenário e de que o sistema de ar-condicionado foi desligado. A transmissão pelos canais oficiais, incluindo a TV Câmara, também foi interrompida desde cedo, dificultando o acompanhamento da sessão pela população.
Para os aliados de Igor, essa postura autoritária é uma tentativa de inviabilizar a continuidade dos trabalhos legislativos.
Disputa pode terminar na Justiça
Com experiência anterior na presidência da Câmara, Igor Gomes sustenta a posição de seu grupo com base no Regimento Interno e nos atos administrativos que formalizaram a convocação da eleição.
Caso a votação não seja realizada, os vereadores poderão votar o requerimento, realizar a eleição e recorrer à Justiça para garantir o resultado.
Até o momento, o impasse permanece sem solução.
O fato político é que Pikuí convocou a eleição, obteve aprovação unânime para antecipá-la e, diante de uma maioria formada em favor do adversário, passou a defender o adiamento.
Agora, a disputa não envolve apenas quem presidirá a Câmara de Cairu pelos próximos dois anos, mas também o respeito às decisões do plenário e à autonomia do Poder Legislativo municipal.

