OS “DOUTORES DO ZAP” E A ALIENAÇÃO DESTRUTIVA

O curioso caso dos que, na ânsia de crer no que pregam, professam insistentemente teorias sem fundamento ou base científica, buscando provar que "têm razão".

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Por: Luana Figueiredo

Uma celeuma tomou grandes proporções sobre uma área tão específica como a Ciência, que não cabe ser debatida por leigos: o “tratamento emergencial” anti COVID-19.

Depois de um ano de pandemia, o que se sabe oficialmente é que cerca de 90% das pessoas com Covid têm sintomas leves ou são assintomáticas. Isso quer dizer que, qualquer coisa que a pessoa tome após ser diagnosticada e enquanto estiver infectada, levará a fama pela melhora ou “cura”. Pode ser um remédio ou um chá de limão com gengibre. Porém, mesmo com todos os estudos já concluídos no mundo todo sobre medicamentos para “tratamento precoce”, ainda tem gente que “entende” mais do que os cientistas, dizendo: “Comigo deu super certo!” ou “Eu sou a prova viva”.

Vivemos a época dos “doutores” do Whatszapp, que levantam hipóteses e não abrem mão delas, mesmo depois das maiores agências científicas dos países mais avançados do mundo as terem descartado. O perigo, no caso desses medicamentos, é que várias pessoas se automedicam, achando que estão, de alguma forma, imunes ao vírus. Como resultado, relaxam as medidas de prevenção, se contaminam e muitas morrem.

Boa parte dessa pseudo medicina do zap ainda diz que apenas os idosos devem ser preservados e que a vida do restante da população deve voltar à normalidade, mesmo depois que milhares de jovens saudáveis estão morrendo sem doenças pré-existentes, o que exemplifica como as teorias do zap não fazem o menor sentido.

Não se trata de dizer que o kit COVID não tem comprovação da eficácia porque pesquisas ainda estão em andamento. A afirmação científica é de que já foi comprovado que não tem eficácia, o que é bem diferente.

Mas, destoante do mundo inteiro, no Brasil, pessoas continuam dizendo que o tal tratamento não é recomendado por questões políticas. É como se o mundo inteiro rejeitasse o kit apenas por perseguição a um grupo político brasileiro.

O problema é que experiências individuais viraram estudo científico. Ora, para a maioria das pessoas é assim: a doença não progride mesmo e seja chá ou seja medicamento A e B, dá no mesmo. Esses “doutores do zap” influenciam pessoas a tomarem essas substâncias como se fosse vacina ou um mecanismo preventivo. O X da desinformação ou falsa informação é o uso indiscriminado por ouvir falar ou por posição política. Para isso, pinçam depoimentos isolados de médicos adeptos desse uso e de trechos de vídeos ou recortam teorias. Isso realmente é o maior perigo dessa insistência: uma “verdade” editada para justificar que isso é melhor que a Ciência. Além disso, muitas pessoas tomam em quantidades exageradas, sem recomendação de nenhum médico, o que pode causar problemas no fígado já com muitos casos registrados.

Médicos que prescrevem esses remédios não podem ser punidos – até porque são placebo e não são proibidos em nenhum município ou estado do Brasil. Eles apenas não são recomendados contra a Covid não tendo autorização das agências de saúde para inclusão na bula exatamente porque não tem base científica após exaustivos estudos. Mas o perigo aos incautos nessa prescrição ou automedicação ainda esconde outro prejuízo: os preços desses medicamentos, que segundo seus defensores seria mais barato que as vacinas, subiram 300% e os pacientes com doenças para as quais as substâncias são indicadas sofreram prejuízos em seus tratamentos, que encareceram.

A Medicina é baseada em evidências e estas são comprovadas ou não pela Ciência após pesquisas e testes. Sem esse contexto, um texto do zap sobre isso vira pretexto para comprovar outra coisa: “que uma mentira mil vezes repetida se torna ‘verdade’.”

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Nesta coluna “Não é Bem Assim”, o leitor do Baixo Sul em Pauta encontra confrontos de ideias, debates, discussões, polêmicas e reflexões sobre temas importantes que estão em pauta. São vários pontos de vista para você formar a sua opinião. Personalidades de nossa região tem espaço para publicar artigos de sua autoria, com argumentos e posicionamentos que podem ajudar a compreender melhor alguns assuntos.

O que você vai ver por aqui: Vamos virar do avesso várias matérias que vemos publicadas por aí para que você possa se aprofundar na informação e saber que, por trás de algumas notícias, sempre podemos ver que “Não é bem assim”…

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