REVITALIZAÇÃO DO CONSELHEIRO É EXEMPLO DE VALORIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO EM VALENÇA

Por Adriano Pereira

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Ontem, 17, foi celebrado o Dia Nacional do Patrimônio Cultural. Para além de mais uma data comemorativa, o que esta representa e tem a ver conosco?

Antes falava-se em Patrimônio Histórico e Artístico, vez que o Decreto-lei nº 25, de 1937 colocava sobre a responsabilidade do IPHAN o “conjunto de bens móveis e imóveis do País, cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”.

O conceito foi ampliado pela Constituição de 88, que incluiu “bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

Assim, entende-se como patrimônio “as formas de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico”.

Entretanto, como diz o ditado popular, “o costume do cachimbo deixa a boca torta”. Quando falamos em patrimônio, o que prevalece e salta aos olhos são sobretudo monumentos e construções de valor histórico e arquitetônico, das quais Valença, pelo seu passado apogético orgulha-se como “terra do já teve”…

Além do que lamentavelmente já foi perdido, encontra-se em ruínas ou situação de abandono em nossa cidade, quem passa hoje no centro depara-se com a reforma do antigo Grupo Escolar Conselheiro Zacarias.

O prédio, construído no final dos anos 30, referência não apenas no ensino de várias gerações como nas instalações, ainda inalteradas em boa parte da estrutura, fazia parte do ideário da época, como ressaltam FARIA FILHO e VIDAL (2000) “o  convívio  com  a  arquitetura  monumental,  os  amplos  corredores,  a  altura  do  pé-direito, as dimensões grandiosas de janelas e portas, a racionalização e a higienização dos espaços e o destaque do prédio escolar com relação à cidade que o cercava visava incutir  nos  alunos  o  apreço  à  educação  racional  e  científica,  valorizando  uma simbologia  estética,  cultural  e  ideológica  constituída  pelas  luzes da  República”.

Assim, este patrimônio, tombado pela Lei Municipal 1888/2007, constitui-se parte da memória afetiva de valencianas e valencianos que por ali passaram ao longo de gerações como estudantes, trabalhadores da educação, pais e mães de famílias, legadas à novas gerações.

Recordações importantes que continuam sendo revitalizadas graças à sensibilidade da professora Flor, historiadora e ex diretora da DIREC 5 (NTE), que não mediu esforços e lutou incansavelmente por recursos para a restauração do prédio, cujo início se deu em março deste ano e segue em ritmo acelerado, sendo acompanhada pelo Conselho Municipal de Cultura, respeitando toda a história do prédio, mantendo inclusive os ladrilhos originais dos corredores e recuperando portas, janelas e adereços tais como os originais, para devolvê-lo à comunidade como um espaço de educação.

Neste sentido, o Conselheiro seguirá como exemplo de revitalização. Quiçá, o Conselheiro Zacarias inspire e sirva como farol, iluminando nossas esperanças de que outros patrimônios sejam também revitalizados, entre eles, além da Matriz, o Theatro Municipal, a Câmara, a Cadeia e o antigo Fórum, que era, na verdade, a residência onde nasceu, em 1815, o Conselheiro Zacarias.

 

REFERÊNCIAS

FARIA  FILHO,  L.  M.  VIDAL,  D.  G. Os  tempos  e  os  espaços  escolares  no  processo  de institucionalização   da   escola   primária   no   Brasil. Revista   Brasileira   de   Educação, Mai/Jun/Jul/Ago 2000 Nº 14. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/rbedu/n14/n14a03>. Acesso em 18 de fevereiro de 2021

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Sobre o autor: 

Adriano Pereira de Queiroz – nascido e criado em Valença, é atualmente Vice Presidente do Conselho de Cultura da Bahia e estudante de Direito no campus XV – UNEB – Valença. 

 

 

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