Matéria do Bahia Rural destaca cultivo de seringueira no Baixo Sul baiano
Equipe de reportagem do programa visitou seringal em Ituberá, onde conheceu a extração do látex e a produção da borracha.
Ituberá, BA – No coração do Baixo Sul da Bahia, o cultivo da seringueira tem ganhado protagonismo como uma atividade agrícola sustentável, geradora de renda e com forte potencial de crescimento. A importância dessa cultura foi tema de uma reportagem exibida no programa Bahia Rural, da TV Bahia, emissora afiliada à Rede Globo, que visitou um seringal no município de Ituberá para mostrar o processo de extração do látex e sua transformação em borracha natural.
A equipe do programa acompanhou o trabalho dos produtores desde o início do dia, no momento da sangria – técnica utilizada para retirar o látex da árvore sem prejudicar seu desenvolvimento. Com cortes cuidadosamente feitos no tronco da seringueira, o líquido branco escorre e é recolhido em recipientes, sendo depois processado e transformado em blocos de borracha.
A matéria destaca que a heveicultura (cultivo da seringueira) apesar de estar em queda no Brasil, mantém-se em expansão na região, graças ao clima úmido e ao solo fértil, ideais para o desenvolvimento da árvore. Para muitos agricultores locais, a seringueira representa uma nova oportunidade de diversificação da produção, com ganhos econômicos de longo prazo. Além disso, a cultura se alinha a práticas de conservação ambiental, já que mantém a cobertura vegetal e protege o solo da erosão.
Os agricultores Jorge Galdino dos Santos e Luiz Carlos de Jesus foram entrevistados e mostraram que a seringueira é plantada junto a outras espécies como o cacau, o cupuaçu e o açaí, num sistema agroflorestal de plantio.
Eles contaram também que a seringueira leva cerca de 8 anos para começar a produzir, principalmente em faixas de Mata Atlântica. O processo de corte é feito de forma manual e só é relizado em árvores com mais de 50 centímetros de diâmetro, chegando a atingir de 20 a 30 metros de altura.
“A seringueira é uma cultura que exige paciência, mas garante retorno por muitos anos. É uma aposentadoria verde”, comentou um dos produtores. O cultivo é considerado de baixo impacto ambiental e oferece uma alternativa viável frente a práticas agrícolas mais agressivas ao meio ambiente.
No Baixo Sul, o látex gera renda para cerca de 1.300 agricultores de quatro cooperativas agrícolas da região.
O diretor de uma das usinas de borracha natural, Jan Pryl, mostrou o processo de transformação do produto desde o campo até o GEB – Granulado Escuro Brasileiro. Ele destaca que 75% da borracha vai para o mercado de pneus.
Outro ponto abordado pela reportagem é o déficit na produção nacional de borracha. O Brasil ainda importa uma grande quantidade do insumo, o que demonstra o potencial de crescimento da produção interna. Com incentivos e organização, os produtores do Baixo Sul podem suprir parte dessa demanda e fortalecer a economia local.
O exemplo de Ituberá serve como modelo para outros municípios da região que buscam uma agricultura mais sustentável e economicamente viável. A experiência mostra que o investimento em capacitação, assistência técnica e políticas públicas adequadas pode fazer da seringueira um símbolo de desenvolvimento rural sustentável na Bahia.
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