21 de janeiro de 2022

SAÚDE, ECONOMIA. O QUE É REALMENTE ESSENCIAL?

Só de achar que temos a resposta entre as duas coisas, já estamos perdendo a guerra

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Por: Luana Figueiredo

“Em meio ao caos, não há vida, não há economia”, diz Sociedade Paulista de Infectologistas, mas nem precisamos ouvir tais especialistas para saber disso.

Jesus deixou a mensagem de que um reino dividido perde a força e não resiste. “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mateus 12.25).

Que maior autoridade para acabar com tantas discussões que vemos nos últimos tempos? As sanitárias? As econômicas? O próprio Deus nos alerta que abomina contendas, discórdias. Então, porque ainda estamos perdendo tempo, enxugando gelo? O que impede a necessária e urgente comunhão para chegarmos mais rápido à porta de saída e nos livrarmos dessa praga que nos assola?

Vejo que há uma questão essencial que não enxergamos: podemos voltar a ter saúde e trabalho se enfrentarmos corretamente o problema ao pararmos de ser perversos com a gente mesmo, seguindo o conselho do Maior Especialista: não manter a casa dividida para se alcançar o melhor para todos, para que possamos subsistir.

Não há prosperidade no declínio das relações, que se flagra no prazer  demonstrado por muitos nas divisões e numa insaciável aspiração em estar com a razão ou vencer uma discussão. Wanderson Monteiro, estudante de Teologia do Instituto Cristão de Pesquisas escreveu sobre isso reforçando que “muitas dessas disputas são fomentadas pela busca do desejo e da satisfação pessoal de alguns, em detrimento do bem-estar de todo o grupo e, até mesmo, de toda a nação”.

Esse deleite na separação entre “nós versus eles” é uma ânsia de muitos em ter os seus desejos satisfeitos mesmo que isso cause um colapso na coletividade. Essa inquietação em colocar a sua vontade pessoal acima do bem-estar de todos deve dar lugar ao ato de compartilhar os mesmos propósitos e objetivos, mesmo diante de posicionamentos em outras esferas de debate, que se deve deixar pra um outro momento.

“O indivíduo particular deve abrir mão de alguns de seus desejos e suas vontades particulares para fazer aquilo que é melhor para o grupo”, refletiu Sigmund Freud, em “Psicologia de Grupo e Análise do Ego”.

É preciso entender que a pandemia deve ter algum efeito evolutivo, deve nos fazer parar para respirar (nós que ainda podemos fazer isso) por pelo menos por alguns minutos para refletir. Não precisamos nos infectar dessa vertigem que tem movido todo mundo a lugar nenhum. Não se avança sem unidade. E na divisão, na dupla visão, na divergência, há uma confusão que só amplia o problema. Não há pior hora para andar em círculos, não cabe e não contribui para melhorar o cenário que estamos vivendo.

Temos visto a falta de diferenciação entre ricos e pobres com relação a maneira que a doença atua nas pessoas. Você pode ter toda a estrutura assistencial de saúde disponível e mesmo assim, pode morrer de uma forma horrorosa (sufocado e sozinho), ou ter sequelas horríveis. Pacientes que chegam ao estado grave tem alta taxa de mortes. Ou seja, não é sobre ter ou não leitos, é sobre não adoecer, mas também é sobre não transmitir, é sobre não correr o risco, mas também é sobre não causar risco aos outros. Mas ainda tem gente falando no carnaval do ano passado (quase 400 dias depois, a mesma cantilena) perdendo tempo em debates ferrenhos sobre temas que não levam a nada. Vale a pena lembrar de outro versículo: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra que cause destruição, mas somente a que seja útil para a edificação, de acordo com a necessidade, a fim de que comunique graça aos que a ouvem”. (Efésios 4:29)

Outros tocam em assuntos que não colaboram com o combate ao vírus, atrapalham quem está lutando contra esse mal, desdenham dos que perderam a batalha ou até mesmo minimizam tudo que está acontecendo. E mais uma vez recorremos ao Especialista na tentativa de contribuir com uma das questões essenciais, que não está em torno dos bate-bocas entre isso ou aquilo, mas na sabedoria de que “Palavras impensadas são como os golpes de uma espada, mas a língua dos sábios traz a cura”. (Provérbios 12:18).

Gustave Le Bon, citado em alguns trabalhos de Freud, criou uma espécie de “noção de massa” ou “mente coletiva” que basicamente diz que “num grupo, todo sentimento e todo ato são contagiosos, e contagiosos em tal grau que o indivíduo prontamente sacrifica seu interesse pessoal ao interesse coletivo”. 

Ou seja, a promoção desse conflito entre quem está certo, quem tem razão, não ajuda em nada. É preciso foco e união. Seria muito mais rápido se não estivéssemos nesse terreno infértil de disputas rasas.

Se cuidem e parem de perder tempo com debates sobre que lado é o certo. Liberdade individual deve ser precedida de responsabilidade coletiva. Portanto, para alcançar o bem-estar de qualquer sociedade civilizada, muitas vezes, o indivíduo deve abrir mão do anseio pessoal. Todos já sabem o que deve ser feito. Há um a lista de medidas a serem tomadas que vários países aprenderam e praticaram, onde todos assumiram o compromisso de fazer o melhor. Mas aqui, vamos continuar nesse culto à rebelião de uns contra os outros?

Se nós, os brasileiros, continuarmos sem crescermos nas nossas relações sociais e humanas, seremos mais abalados e enfraquecidos.

O inimigo vence os que estão em divisão.

1 comentário
  1. albert Diz

    parabéns, ótima colocação

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