12 de agosto de 2022

Rogério Caboclo é afastado da Presidência da CBF

Sob acusações de assédio e em meio a supostas pressões para troca do comando da Seleção Brasileira, o dirigente do Futebol Brasileiro se afastou por decisão da comissão de ética da entidade.

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Em meio à polêmica da Copa América, o Presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, foi afastado por conta da investigação de assédio sexual e moral de uma funcionária.

A Comissão de Ética da entidade determinou neste domingo, o afastamento do dirigente por 30 dias.

Segundo a denúncia protocolada por uma cerimonialista da CBF que trabalhava diretamente com Caboclo, ele perguntou à funcionária se ela se “masturbava”. Em outro episódio, Caboclo teria tentado forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de “cadela”. Ele nega todas as acusações. 

A CBF, após notificada, divulgou nota oficial:

“A CBF informa que recebeu na tarde deste domingo, 6, decisão da Comissão de Ética do Futebol Brasileiro suspendendo temporariamente (pelo prazo inicial de 30 dias) o Presidente Rogério Caboclo do exercício de suas funções. Seguindo o Estatuto da entidade, toma posse interinamente, por critério de idade, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima. A decisão é sigilosa e o processo tramitará perante a referida Comissão, com a finalidade de apurar a denúncia apresentada.”

A decisão ocorre num momento delicado de turbulência entre a CBF e a comissão técnica da Seleção Brasileira, além de jogadores que se negam a disputar a Copa América no Brasil devido a situação sanitária no país.

Ontem (sábado) foi realizada uma reunião da Conmebol por videoconferência com participação do presidente Jair Bolsonaro, que reafirmou a vontade de que a competição aconteça no Brasil. Jornais dizem que os capitães das 10 seleções foram convidados, mas se negaram a participar. Assessores do Planalto consideram a Copa América uma “vitória política” e “uma questão de honra” para o presidente, mas a crise está instalada, fazendo o governo criar um gabinete para lidar com os conflitos.

Durante todo o domingo, especulou-se que Bolsonaro teria pressionado Cabolo a trocar o técnico Tite por Renato Gaúcho para o comando do time brasileiro. Veículos de comunicação e lideranças políticas chegam a dizer que, nos bastidores, se fala até que o novo técnico deve fazer uma nova convocação de jogadores para a Seleção disputar a Copa América devido aos atritos com os atuais escalados. Segundo o jornalista André RizeK, do SporTV, em reportagem publicada no site Globo Esporte,  Rogério Caboclo, antes de ser afastado, prometeu a Bolsonaro que colocaria Renato Gaúcho como  técnico da seleção.

Várias matérias e postagens foram publicadas comparando a situação atual com um episódio em que o Presidente Médici interferiu na Seleção Brasileira. No regime militar, o General Emílio Garrastazu Médici chegou a interferir até mesmo na escalação dos jogadores, quando disse que queria Dadá Maravilha no time brasileiro, causando a reação do então técnico João Saldanha “Nem eu escalo ministério, nem o presidente escala time”. A desavença resultou na demissão de Saldanha, que foi substituído por Zagallo.

Já para a direção da CBF, o levante dos atletas e da comissão técnica é um ato de insubordinação.

Tite e um grupo de atletas anunciaram que irão  se manifestar oficialmente sobre o torneio na próxima terça-feira (8), após o jogo do Brasil contra o Paraguai que acontece às 21h30 (horário de Brasília) pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

O R7 noticiou que os patrocinadores não querem Caboclo de volta ao comando da CBF por causa do teor da denúncia, da gravidade das acusações e das provas. De acordo com o portal de notícias da Rede Record, a expectativa dos empresários que financiam o futebol é de que ele renuncie ao cargo definitivamente antes mesmo de ser julgado. Se isso acontecer, uma nova eleição será realizada pra escolha entre os membros da direção atual para preencher o mandato que vai até 2023.

 

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