OS ANTI-BRASIL

Concentrações pró COVID 19 reivindicam as bandeiras da morte acima de tudo.

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Por Rosângela Góes.

Impressionante a insistente mobilização desses “patriotas” que se aglomeram com faixas e cartazes nas ruas de Brasília e em algumas capitais em plema pandemia. Olho para o que defendem ou reivindicam e lá, naquele escárnio que se tornou o verdeamarelismo das faixas e bandeiras, não está uma única frase em favor do Brasil.

Nenhuma faixa pede vacinas ou auxílio emergencial. Nem uma palavra grita a indignação contra os abusivos preços dos alimentos e a disparada dos combustíveis. Patriotismo lesa-pátria sobre a venda escandalosa da Eletrobrás, a privatização da água e o estrangulamento das universidades e centros de pesquisa. Silêncio constrangedor quanto à volta da fome para milhões de brasileiros ou os ainda mais alarmantes índices de desemprego. NADA.

A despeito da indiferença perante o escandaloso número de mortos na pandemia e do constrangimento internacional que sofre o país na desastrosa gestão dela, eles seguem negando o próprio sentimento dos brasileiros com a crescente perda do que se conquistou em serviços públicos e em garantia de direitos sociais.

Que brasileiros são esses que pedem ditadura militar? São patriotas ao avesso manifestando-se pelo direito de se aglomerarem em churrascos e baladas. De irem à praia em convescotes privados nos iates de luxo e festas privê. Querem a liberdade de infringir a liberdade dos que a usufruem sem necessidade de garanti-la por decreto, pois os únicos que a ameaçam são eles próprios!?!

Com a paranóia no poder central do país, clamam por fechamento dos outros poderes da República em nome da “liberdade” de mando por um só poder – o Executivo – sem os pesos e contrapesos das outras instituições democráticas.

De onde saiu essa gente anti-vida que nega o Brasil aos outros mais de 70% dos brasileiros? Os ANTI-BRASIL vão às ruas “defender” a morte do Brasil que não desiste e sonha um país menos desigual. A morte dos ecossistemas raros com fogo e motosserras, morte aos guardiões das florestas e povo negro, morte às mulheres e homossexuais, morte ao Brasil do povo com nome de árvore – cor de brasa.

Só a pulsão da morte explica os anti-vida empunhando a bandeira do Brasil com armas na cintura e fanfarronices em nome de Deus. No coração de cada conterrâneo de Deus brasileiro, os anti Brasil e anti-vida saberão onde é o seu lugar.

 

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‎Sobre a autora: Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo é professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia, graduada em Letras e especialista em Avaliação, escritora, membro da Academia de Letras do Recôncavo-ALER, e da Academia de Educação, Letras e Artes de Valença-AVELA.

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Nesta coluna “Não é Bem Assim”, o leitor do Baixo Sul em Pauta encontra confrontos de ideias, debates, discussões, polêmicas e reflexões sobre temas importantes que estão em pauta. São vários pontos de vista para você formar a sua opinião. Personalidades de nossa região tem espaço para publicar artigos de sua autoria, com argumentos e posicionamentos que podem ajudar a compreender melhor alguns assuntos.

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