14 de julho de 2024

30 de janeiro de 2024

Morre o médico e escritor Mustafá Rosemberg

Referência de Valença e região como médico e poeta, levava no peito o amor à profissão e a dedicação aos pacientes, além do talento com as palavras reverenciado em diversas obras publicadas.

 

Morreu nesta sexta-feira, aos 96 anos de idade, o médico e ícone da literatura regional do Baixo Sul, Mustafá Rosemberg, deixando um legado na saúde e na cultura de Valença.

Ele estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Valenca com complicações da idade e faleceu na tarde de hoje.

O velório acontece no Salão Nobre da Santa Casa de Misericórdia de Valença, e o sepultamento será neste sábado (20), às 11 horas da manhã, no cemitério de Valença.

O doutor Mustafá deixa uma lacuna tendo vivido uma história de amor à medicina e à arte. Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia – UFBA, foram mais de 60 anos exercendo a profissão como um sacerdócio, sendo um nobre servo da ciência, estudioso e professor. Médico honrado e reconhecido pela humanidade no trato com os pacientes, certeiro nos diagnósticos, ele atuou também como provedor do Hospital Doutor Heitor Guedes de Melo (Santa Casa de Misericórdia), dirigindo com muita competência a instituição.

Em vida, foi homenageado pela Câmara de Vereadores, AVELA e outras entidades.

Fundador da Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes – AVELA – e membro da Academia de Letras do Recôncavo – ALER, participou com seus textos em antologias poéticas, como nos livros “Rio de Letras”, “Esquinas da Alma” e “4 Ases e 1 Coringa”, além de outras obras junto com outros escritores, deixando uma inestimável contribuição com a história de Valença com seus vários textos publicados que encantavam seus leitores.

Chegou a escrever, no ano de 2010, para a Revista Superinterressante, sobre o episódio que viveu, aos 17 anos, na época dos atentados aos navios Itagiba e Arará na costa valenciana, durante a 2ª Guerra. Na reportagem, ele contou que viajou a Valença para ir ao cartório local, quando soube da chegada dos náufragos à cidade, indo ver de perto a situação, quando acabou ajudando os feridos, no tratamento e na limpeza de suas roupas, sem qualquer conhecimento técnico, pois ainda era um adolescente. “No hospital havia um médico só. Começaram a chamar o povo: Entrem! Venham ajudar! Era muito sangue”, escreveu. 

Em 2018, fez um evento de lançamento do livro “Rosas não ferem” reunindo sua família e personalidades valencianas numa noite de autógrafos em evento realizado no Estação Festa.

Doutor Mustafá também era maçon, membro past venerável da Loja Maçônica Paz e Fraternidade.

“A destreza com que manejou a pena foi a mesma com a qual manejou o bisturi. Agora, mais que nunca, atingiu a verdadeira imortalidade. Para nós que aqui permanecemos, fica o luto e a saudade do confrade imortal”, escreveu a AVELA em sua nota de pesar.

Mustafá Rosemberg de Sousa foi um homem respeitado, admirado e íntegro. Seu nome com certeza ficará eternizado como um mestre em tudo que se dedicou a fazer em vida.

Na memória, fica a cena do homem de roupa e cabelos brancos, andar ligeiro e ombros arqueados, sempre educado, andando com a sua maleta, sempre disposto a salvar milhares de vidas.

O site Baixo Sul em Pauta expressa o mais profundo pesar pela perda irreparável dessa figura ilustre de Valença e região.

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