Manifestações de hoje dividem opiniões

Incoerência em aglomerar ou impaciência para suportar as crises (sanitária, social, política e econômica)? Grupos confrontam análise sobre atos anti-bolsonaro: "hipocrisia" x "chegamos ao limite".

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Por: Luana Figueiredo

Neste sábado, 29 de maio, grupos anti-bolsonaro convocaram manifestações por todo o Brasil.

Os protestos de rua acontecem em meio a alta no número de casos de coronavírus no país e lotação de leitos acima de 90% em, pelo menos, 9 estados da federação.

O nível crítico da pandemia e iminência de uma terceira onda, já admitida pelo Ministério da Saúde, não impediram que esse movimento acontecesse, mesmo com o risco de disseminação e circulação de novas variantes, mais perigosas e agressivas.

Alguns críticos tem reclamado que os atos são carregados de “hipocrisia” por aqueles que repudiaram as aglomerações promovidas pelo presidente Jair Bolsonaro. Já os organizadores (movimentos sociais, partidos políticos, entidades estudantis, sindicatos, etc) alegam que não é possível esperar a pandemia passar para fazer manifestações contra o governo devido ao agravamento das crises e que há incentivo para adoção de medidas de prevenção como o uso de máscaras, alcool em gel e distanciamento. Os apoiadores do impeachment dizem que os eventos pró-Bolsonaro ocorrem com a maioria absoluta sem utilizar máscara, inclusive ele, e que o formato, mesmo presencial, é diferente das aparições bolsonaristas.

Até agora, a Covid matou quase 460 mil brasileiros e o cenário de infecções, colapso na ocupação de leitos de UTI e mortes permanece sem recuo. Afinal, as manifestações de rua, cujo sucesso ou fracasso é medido pelo número de participantes, e comprovada por fotos de “multidões”, não seriam um desrespeito às famílias que perderam seus entes para o coronavírus?

Mesmo com todas as práticas de segurança, é unânime que ir às ruas em bloco é arriscado, mas lideranças da oposição justificam que o que está acontecendo no Brasil é mais perigoso para a população e que a mobilização deste sábado é um teste para medir a real disposição da população de ir pra rua contra o presidente. Na pauta, os manifestantes pedem hoje auxílio emergencial de 600 reais, criticam a conduta do Governo no combate à pandemia, a falta de vacinas, a alta dos preços dos alimentos, combustível, gás, etc.

O grupo MBL (Movimento Brasil Livre) que incendiou as manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma, apesar de se posicionar contra Bolsonaro, ficará longe dos protestos e explicou porque não participarão:

“Fazer aglomeração agora é fazer o jogo bolsonarista e agir a favor do vírus”.

Já o ator Gregório Duvivier escreveu um artigo defendendo que as pessoas participem:

“A gente não pode ter medo de ir às ruas. Embora não possa deixar de ter cuidado. Tudo o que mudou, no mundo, só mudou porque tinha muita gente no mesmo lugar, ao mesmo tempo. Se ainda tem gente de verdade aqui, essa gente precisa ver que tem mais gente, pra deixar de ter medo. Dia 29, eu vou pra rua. Sem medo de ter cuidado, mas com muito cuidado pra não ter medo”.

Repugnante mesmo é ver os políticos de mandato que deveriam se empenhar em ajudar o Brasil a sair desse cenário de caos se prestarem ao papel de perder tempo, por exemplo, expondo e fazendo análises de pesquisas eleitorais, falsas ou verdadeiras, sejam as montadas no computador de casa ou feitas por institutos, a favor de um lado ou de outro, no meio da tragédia que estamos vivendo.

Aliás, todos que estão focando em 2022 e desviando o debate necessário e as ações urgentes do momento atual causam ânsia de vômito.

Ambos os lados tentam disfarçar que não estão em campanha eleitoral, que só acontece no ano que vem.

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Foto de capa da matéria: Rede Brasil Atual

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Nesta coluna “Não é Bem Assim”, o leitor do Baixo Sul em Pauta encontra confrontos de ideias, debates, discussões, polêmicas e reflexões sobre temas importantes que estão em pauta. São vários pontos de vista para você formar a sua opinião. Personalidades de nossa região tem espaço para publicar artigos de sua autoria, com argumentos e posicionamentos que podem ajudar a compreender melhor alguns assuntos.

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