Corrupção: o “dito” e o “feito”

Por Luana Figueiredo

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Toda essa história impulsionada pela imprensa sobre a suposta corrupção no Governo Bolsonaro é um aperitivo aos que antes também se levavam pela mera palavra de alguém para apontar o dedo e achincalhar figuras públicas.

Não há, no sistema jurídico brasileiro, nenhum dispositivo legal que considere o crime consumado apenas porque alguém está falando que aconteceu, a não ser que haja confissão de culpa, que deve partir do próprio acusado. Nem mesmo a delação premiada, instrumento criado no Governo Dilma, tem essa  prerrogativa de culpa pelo “dito”. Pelo contrário, o “feito” apontado no “dito” tem que estar comprovado e a palavra de um delator, desacompanhada de provas, não tem valor algum.

Na Operação Lava Jato se instalou uma verdadeira inquisição na ânsia para que os réus confessos apontassem, de qualquer jeito, nomes de políticos com a promessa de um prêmio, que influenciava e incentivava a delação. Os nomes mencionados, na maioria das vezes, não tinham substância alguma, nem conexão com provas e o efeito prático disso foi que grande parte dos condenados na Lava-Jato estão soltos por terem devolvido uma pequena parte dos recursos desviados e implicado outras pessoas, que tiveram suas reputações abaladas pelo julgamento precipitado da opinião pública.

Quanto às denúncias de esquemas na compra de vacinas e outros escândalos de corrupção que têm pautado a imprensa nos últimos dias, quem acha que tudo não passa de perseguição política e sensacionalismo e já decretou a inocência de todos, deve aprender uma lição: todos são inocentes até que se prove o contrário e essa deveria ter sido sempre a lógica de julgamento da opinião pública, mesmo que seja a favor de quem não se goste ou contra quem se goste.

Os episódios do ex-senador Delcídio Amaral, do ex-ministro Antônio Palocci ou do deputado Luís Miranda são idênticos: políticos citando outros sem apresentar prova alguma do que estão falando. Mas é o suficiente para a espetacularização e o sensacionalismo na imprensa.

A lição que fica é que há uma distância entre o dito e o feito que só pode ser diminuída com PROVAS, não com opiniões contra ou a favor. Não importa o que se acha sobre a denúncia ou sobre o denunciado. A JUSTIÇA se impõe sobre narrativas e versões. Falsear a VERDADE sob qualquer pretexto é a pior das formas de corrupção.

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Nesta coluna “Não é Bem Assim”, o leitor do Baixo Sul em Pauta encontra confrontos de ideias, debates, discussões, polêmicas e reflexões sobre temas importantes que estão em pauta. São vários pontos de vista para você formar a sua opinião. Personalidades de nossa região tem espaço para publicar artigos de sua autoria, com argumentos e posicionamentos que podem ajudar a compreender melhor alguns assuntos.

O que você vai ver por aqui: Vamos virar do avesso várias matérias que vemos publicadas por aí para que você possa se aprofundar na informação e saber que, por trás de algumas notícias, sempre podemos ver que “Não é bem assim”…

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