17 de janeiro de 2022

COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA COMO PERSPECTIVA PARA BEM VIVER NA ESCOLA

Por Sanny Borges (Sanny Aparecida Borges Leal D' Gusmão é concluinte do Curso de Pedagogia pela FAESB, coordenadora pedagógica do CETEN, locutora, apresentadora e Radialista)

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Dedicado à aprendizagem, o ambiente escolar é desafiador tanto para professores quanto para alunos e relacionar-se não é uma tarefa nada fácil.

Nesse contexto, está a Comunicação Não Violenta, uma abordagem voltada para o relacionamento de forma autêntica e que prioriza o fortalecimento de laços, com vistas ao desenvolvimento de bons relacionamentos. Essa comunicação é capaz de conectar a alma das pessoas, promovendo regeneração.

Corroboramos com Pimenta e Anastasiou (2014, p. 80) ao afirmarem que “a Educação é um processo de humanização, que ocorre na sociedade humana com a finalidade explícita de tornar os indivíduos em participantes do processo civilizatório e responsáveis por levá-lo adiante.” Enquanto prática social, ela é realizada por todas as instituições da sociedade.

Enquanto processo sistemático e intencional se destaca a ocorrência na escola, a qual está assentada fundamentalmente no trabalho dos professores e dos alunos. De acordo com as referidas autoras, a finalidade desse trabalho de caráter coletivo e interdisciplinar, que tem como objeto o conhecimento “é contribuir com o processo de humanização de ambos, numa perspectiva de inserção social crítica e transformadora”.
Buscando um significado mais aprofundado acerca da origem da palavra educação, encontramos no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa a definição do termo Educação como: sf. ‘processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança’ ‘polidez’. Não há necessidade de questionar se o trabalho está sendo realizado como deveria, é possível constatar observando a crescente evasão escolar. Ademais, a quantidade de crianças que apenas está na escola, mas não aprendem de maneira efetiva também é expressiva, além da crescente violência, uso de drogas, desrespeito e indisciplina dentro do ambiente escolar.

Conforme Bryson e Siegel (2015) “estamos perdendo oportunidades valiosas de conexão com nossas crianças e permitindo que a tecnologia invada os relacionamentos. Filhos inábeis na interação social tornam-se despreparados emocionalmente, carentes de afeto, sem limites, agressivos e desobedientes. Infelizmente, essa desestruturação familiar tem sido a regra nos lares brasileiros.”

Seguindo essa linha de compreensão, é notório que a aplicação dos fundamentos da Comunicação Não Violenta é um recurso de grande valia para o dia a dia escolar. De acordo com seu idealizador, Dr. Marshall Rosenberg, a maioria dos conflitos entre indivíduos surge de problemas na hora de comunicar as necessidades humanas, ao utilizar linguagens que induzem ao medo, a culpa, a dependência do outro, a vergonha, a opressão, entre outras situações desagradáveis.

Podemos a isso acrescentar os problemas relacionados a um processo de aprendizagem deficiente. Lia Diskin (2003) declara na sessão dos agradecimentos do livro de Rosenberg: “O trabalho do Dr. Marshall Rosenberg sobre a comunicação não-violenta revela, inicialmente, a profundidade que a cultura de guerra adquiriu, tanto na nossa linguagem quanto nos relacionamentos. Por outro lado, sua habilidade pedagógica nos encoraja a entrar em contato com esse centro de humanidade, onde nos reconhecemos como aprendizes de novos modos de estar e de nos articular com os outros e com o mundo”.

Nesse sentido, investir numa educação mais empática é um dos caminhos para tentar compreender o que está por trás, por exemplo, das atitudes agressivas frequentemente vistas nas escolas. De acordo com Rosenberg (1999) “somos todos compassivos por natureza e estratégias violentas – verbais ou físicas – são aprendidas, ensinadas e apoiadas pela cultura dominante”. Essa violência é, certamente, resultado das inúmeras imposições da cultura dominante, que acaba gerando ambientes com grande pressão em decorrência da busca pelo poder e da competitividade.

Como bem colocou Darcy Ribeiro “Nós vamos acabar com a violência, quando resolvermos o problema da Educação. “E as contribuições da Comunicação Não Violenta são de grande valia nesse processo, pois evita conflitos e permite que a resolução destes seja mediante o diálogo, com uma comunicação mais empática. Assim, temos maiores possibilidades de criar um ambiente escolar com relações mais saudáveis e harmoniosas, o que propicia benefícios na saúde emocional de todos os envolvidos, o que, sem dúvida, facilita de maneira significativa o processo de ensino e aprendizagem.

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