21 de janeiro de 2022

Até dezembro de 2020, não havia negociações para compra de vacinas, segundo o próprio Bolsonaro

O presidente liberou as compras somente em 2021, mostram vídeos.

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Após o pronunciamento oficial do Presidente da República ontem à noite em cadeia nacional de rádio e televisão, reportagens e vídeos voltaram a circular com declarações em que Bolsonaro critica a vacina produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo e afirma que não iria adquiri-la. O vídeo acima é de 21 de outubro de 2020, quando o presidente diz que “números mostram que a pandemia está indo embora” e que “toda e qualquer vacina está descartada”. Na visão do presidente, estava cedo para se ter um produto confiável que desse segurança aos brasileiros.

Nesse mesmo dia, o ex-ministro Eduardo Pazuello havia assinado um protocolo de intenções de compra de milhões de doses quando os imunizantes ainda estavam em desenvolvimento e que naquele momento precisava de parcerias viabilizar. Logo quando divulgado, o presidente desmentiu o Ministério da Saúde e mandou cancelar o acordo que reservava os imunizantes (promessa de compra para agilizar a produção), sendo taxativo em dizer que não abriria mão de sua autoridade. O Ministro chegou a anunciar a quantidade prevista numa reunião virtual com governadores, mas houve revés.

Quando deu essas declarações, 20 bilhões de reais já haviam sido aprovados pelo Congresso Nacional para a compra de vacinas. No sábado passado (20 de março), o presidente fez uma postagem em suas redes sociais de uma matéria do Correio Braziliense, datada de agosto de 2020, que diz: “Bolsonaro assina MP para a compra de 100 milhões de doses de vacinas”. MP significa “Medida Provisória”, que ele sancionou para liberar o crédito orçamentário, ou seja, quer dizer que nessa época, já existiam recursos reservados para este fim. Ocorre que, na legenda dessa publicação em suas redes sociais, o presidente confunde a informação quando escreve “vacinas compradas em agosto de 2020”, quando na verdade, não se estava nem mesmo em negociação, não se tinha celebrado nenhum contrato, nem acordo ou protocolo de intenções para compra de vacinas no Brasil, tanto que, em dezembro de 2020, Bolsonaro diz que quem está interessado (os fabricantes) que deve procurar o Brasil para negociar vacinas e não o contrário. “O pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não!”

A imprensa, políticos da oposição e autoridades sanitárias tem criticado o presidente por estar, agora, dizendo que fez de tudo para que a aquisição das vacinas chegasse o mais rapidamente possível. Algumas matérias afirmam que ele chegou a rejeitar ofertas de laboratórios, em 2020, e que, se tivesse agilizado a reserva das doses diante da alta demanda mundial e da procura de vários países, as vacinas já tinham chegado em quantidade maior. Hoje, em cada 10 doses aplicadas no Brasil, 9 são da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan.

Apesar de o Brasil ser o quinto em número de vacinados, em relação à população, está na posição de número 60. Menos de 6% dos brasileiros receberam a primeira dose até agora, de acordo com os dados oficiais.

O Brasil hoje atingiu a marca de 300 mil mortos por Covid-19.

Reportagem SBT (28 de dezembro de 2020):

Reportagem TV Cultura (21 de outubro de 2020):

O grande Debate – CNN sobre se estava havendo uma “politização” das vacinas (21 de outubro de 2020):

Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Veja)

 

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