12 de agosto de 2022

ACM Neto disfarça sobre aliado ser ministro de Bolsonaro?

O ex-prefeito de Salvador e Presidente Nacional do Democratas mantém o discurso de que a nomeação de João Roma ao Ministério da Cidadania não tem o dedo dele.

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Segundo o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, a suposta briga entre ele e o atual Ministro da Cidadania do Governo de Jair Bolsonaro já está superada e o assunto encerrado.

Mas, nos bastidores da política baiana, os rumores sempre ecoaram de que o próprio ACM quem indicou o baiano João Roma, seu aliado e amigo pessoal, para o Ministério como retribuição pelo apoio do DEM no Congresso aos candidatos governistas Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (DEM), à Câmara e ao Senado, respectivamente. Os presidentes atuais eleitos recentemente para conduzir das duas casas legislativas do Congresso Nacional são aliados do presidente Jair Bolsonaro e foram apoiados pela maioria dos deputados e senadores do partido que ACM é presidente nacional. Em entrevista na semana passada a um jornalista, o democrata insistiu em reforçar a tese de que foi contra a nomeação de seu ex-funcionário João Roma (como Ministro da Cidadania), que é filiado ao Republicanos – partido da base política de ACM na Bahia, e faz oposição a atual gestão atual do Governador Rui Costa. “Não trato mais desse assunto”, encerrou.

Segundo lideranças baianas ligadas ao Governo Estadual, nos dias em que antecederam a posse de João Roma ao Ministério, no início de 2021, a indicação “pegou mal” e começou a repercutir negativamente, aparentando um “toma lá, dá cá” entre ACM e Bolsonaro após a vitória dos candidatos apoiados por ambos ao parlamento. Logo em seguida, no dia da ascensão do então homem de confiança de ACM (ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Salvador) ao cargo no primeiro escalão do governo federal, Neto foi a público se manifestar sobre um atrito entre os dois e que o fato de João Roma aceitar o cargo teria causado mal estar com o seu antigo líder. No dia em que o aliado histórico do ex-gestor da capital baiana assumiu a pasta, ACM negou que tenha sido articulação dele com o governo e chegou a rebater o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que declarou que a atitude de Neto havia “revelado o seu caráter”. Já Neto se colocou como injustiçado pelo ex-amigo Maia e afirmou que Roma não o consultou e não teve consideração à boa relação entre os dois. O Republicanos, na época, afirmou que o nome de João Roma foi indicação do partido para o lugar de Onyx Lorenzoni. A sigla faz parte do chamado “Centrão”, grupo que se aproximou do Presidente da República politicamente nos últimos meses.

No Twitter, ele escreveu: “Considero lamentável a aceitação, pelo deputado João Roma, do convite do Palácio do Planalto para assumir o Ministério da Cidadania. A decisão me surpreende porque desconsidera a relação política e a amizade pessoal que construímos ao longo de toda a vida”.

E continuou:

“Se a intenção do Palácio do Planalto é me intimidar, limitar a expressão das minhas opiniões ou reduzir as minhas críticas, serviu antes para reforçar a minha certeza de que me manter distante do governo federal é o caminho certo a ser trilhado, pelo bem do Brasil”.

Mesmo com as explicações, Rodrigo Maia acusou ACM de trair o que havia acordado e ter ajudado a enfraquecer a candidatura de Baleia Rossi na Câmara dos Deputados ao optar pela neutralidade do partido, ou seja liberar os deputados a votar em quem quiser sem direcionamento partidário. “O que ele fez foi muito feio. Ficar contra é legítimo, falar uma coisa e fazer outra, não. Falta caráter”, disse. Logo após a troca pública de farpas entre os dois, Maia anunciou que deixará o DEM e fará oposição ao governo Bolsonaro, sem citar o partido que se filiará sendo a reação prática após declarar que “ele (ACM) entregou a nossa cabeça numa bandeja para o Palácio do Planalto”.

Todo mundo dizia que ele (NETO) tinha feito acordo. O Palácio dizia que ele tinha feito acordo, Ciro Nogueira (PRESIDENTE DO PP) dizia que o DEM ia ficar neutro e eu falava que não, que o Neto tinha me dito que não”, afirmou Maia que chamou a negociação de um “papelão”.

Como ACM Neto é pré-candidato ao Governo do Estado para as eleições do ano que vem, lideranças da base aliada do Governador Rui Costa atribuem a reação dele como uma “jogada” para blindar sua imagem e descolar do presidente da República que ele e Roma se “entenderão” antes do período eleitoral de 2022 como se tivessem “feito as pazes em nome do bem da Bahia”, citou um interlocutor político que tem criticado o que classifica como “jogo de cena estratégico”.

Apesar de ter dito na última entrevista que “não vê outro caminho” a não ser o de concorrer a Governador da Bahia, Neto ameniza perguntas sobre o assunto, declarando que a todo o tempo que “não é hora de falar de eleição”.  

Foto: reprodução Facebook ACM Neto

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