Número alto de doses de vacinas sem uso no Brasil

Todos os Governadores receberam ofício do Ministério Público Federal pedindo esclarecimentos sobre as razões da discrepância entre o quantitativo das doses enviadas aos Estados e a sua efetiva aplicação, gerando uma diferença de 16 milhões. Nossa reportagem investigou a situação a pedido de um leitor e mostra o ranking no Baixo Sul.

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Um leitor nos enviou uma imagem que mostra que o número de vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde é maior do que o de doses aplicadas e pediu que a nossa página escrevesse sobre isso. Na opinião do seguidor do Site, estaria havendo um boicote dos governadores no acesso da população às vacinas para prejudicar o Presidente da República. Na interpretação dele, estão segurando a vacina por motivação meramente política e que isso causa mais mortes por Covid-19 para que mais recursos sejam liberados pelo Governo Federal.

O card que recebemos é da Deputada Carla Zambelli (PSL) e fomos pesquisar.

Link da postagem da Deputada Federal Carla Zambelli (PSL):

 https://www.facebook.com/198620036895177/posts/4061330393957436/

A postagem é baseada num pedido do Ministério Público Federal (MPF), que também postou a notícia em sua página no Facebook.

Segue o link da postagem do Ministério Público Federal:

https://www.facebook.com/178478368966242/posts/1916274938519901/

“O Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia de Covid-19 (Giac), do MPF, enviou nessa quinta-feira (15) ofício a todos os governadores pedindo esclarecimentos sobre a discrepância entre o número de doses de vacina contra covid-19 enviadas a cada unidade da Federação e o total de doses efetivamente aplicadas. O documento é assinado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e pela subprocuradora-geral da República Célia Regina Souza Delgado, coordenadora finalística do Giac”.

Mais detalhes:

http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/giac-pede-esclarecimentos-a-governadores-sobre-discrepancia-entre-numero-de-doses-de-vacina-enviadas-e-efetivamente-aplicadas-em-cada-estado-1?fbclid=IwAR0JweAP-eDpB8S-qwQUW6ID2mYlvPhAzn-VmhJSEj-B-LKKusvbySjjYcc

Em relação ao Estado da Bahia, 3.083.367 doses foram entregues pelo Ministério da Saúde e aplicadas apenas 2.703.142 doses. O ofício foi enviado em 15 de abril e a resposta deve ser enviada à Procuradoria Geral da República no prazo de 10 dias.

Link do ofício enviado pelo MPF ao Governador Rui Costa:

http://www.mpf.mp.br/pgr/documentos/102BAPGR00129987.2021.pdf

Em relação à primeira dose, não podemos avaliar porque houve entrega de remessa de vacinas na Bahia ontem, mas os números do sistema de vacinação do Ministério da Saúde, o DataSUS, mostram que, no nosso Estado, a taxa é de pouco mais de 15%. No mapeamento vacinal da SESAB, percebe-se que o número dos efetivamente vacinados no Baixo Sul, ou seja, o percentual de segundas doses usadas, por exemplo, ainda tem percentual baixo, repetindo o que acontece em todo o país.

Veja o ranking da aplicação da segunda dose das vacinas no BS:

Wenceslau Guimarães: 92,1%

Piraí do Norte: 77,1%

Cairu: 65,9%

Teolândia: 62%

Valença: 60,6%

Taperoá: 58,9%

Gandu: 57,6%

Aratuípe: 55,1%

Camamu: 53,8%

Ituberá: 53,7%

Presidente Tancredo Neves: 39,8%

Igrapiúna: 35,7%

Nilo Peçanha: 32,9%

Jaguaripe: 28,5%

Além da taxa de abandono da segunda dose, que é quando as pessoas que receberam a primeira dose não retornam ou demoram para voltar para a aplicação do reforço, os imunizantes precisam de um tempo para ativar a produção de anticorpos e concluir o processo. Dos dois fabricantes disponíveis no Brasil, Coronavac/Sinovac, do Instituto Butantan e CoviShield/AstraZeneca, da Universidade de Oxford e Fundação Oswaldo Cruz, ambos com duas doses, um tem um espaço entre as doses de 14 a 28 dias, enquanto o outro de 3 meses, fazendo com que as doses reservadas para quem já tomou a primeira permaneçam em estoque, paradas, para aplicação do complemento. Esse pode ser um dos motivos que fazem com que o número de doses distribuídas esteja acima do de aplicadas, uma vez que as vacinas da Astrazeneca começaram a ser distribuídas em 24 de janeiro deste ano.

Para equilibrar os números, o percentual de vacinados que iniciaram o esquema vacinal só crescerá quando as Prefeituras e Governos Estaduais e até mesmo o Ministério da Saúde iniciarem campanhas de conscientização para que os que tomaram a primeira dose compareçam às unidades de saúde para completar a proteção.

Imagem: Acompanhamento da Cobertura Vacinal da Bahia

https://bi.saude.ba.gov.br/vacinacao/

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