Setor de eventos vive dura realidade sem apoio do poder público
Sem nenhum tipo de auxílio financeiro, profissionais do ramo seguem prejudicados drasticamente pela pandemia, sem previsão de retomada, e abandonados pelas gestões em todas as esferas.
Para quem atua no setor de eventos, o último ano foi de crise financeira devido ao paradeiro nas apresentações artísticas e interrupção das atividades. Profissionais do ramo sofrem uma dura realidade em mais de 1 ano de pandemia.
Os espaços de festas e palcos de shows estão vazios há mais de 400 dias e os prejuízos são incalculáveis. Eventos foram cancelados em todo o país sem previsão de retorno. O som deu lugar ao silêncio e a alegria da atividade que ajudava a movimentar a economia deu lugar a preocupações, dificuldades financeiras dos trabalhadores e empresários. Autônomos sem oportunidade e os que tinham vínculo, a maioria foram demitidos. O faturamento zerou e ninguém contrata pela proibição das aglomerações. Muitos tiveram que se reinventar e até mudar de negócio para sobreviver, já que não tiveram nenhum respaldo governamental para manter suas contas básicas.
O “abre e fecha” das cidades por causa dos tantos decretos que tentam conter o avanço da pandemia gerou ainda mais insegurança sobre quando a rotina poderá chegar perto da normalidade para o mercado artístico. O “fique em casa” não é o maior problema, mas sim a falta de contribuições ou incentivos governamentais para o trabalhador poder esperar até que a cadeia produtiva cultural, de eventos e de entretenimento volte a funcionar parcial ou plenamente.
Ainda não é possível que os profissionais da área trabalhem com a capacidade de público típica dos eventos. O São João 2021 ilustra bem a situação que se arrasta há centenas de dias, pois já foi cancelado, uma vez que o ritmo da vacina ainda não garante o retorno seguro do cotidiano de aglomerações, nem mesmo uma retomada gradual, por causa do baixo alcance de imunização e aumento da contaminação e do número de mortes.
Alguns músicos do Baixo Sul, por exemplo, estão em profundo desespero. Do som de barzinho às apresentações maiores, tudo foi totalmente suspenso. A falta de renda e de outra alternativa tem levado muitos à depressão. Esse cenário tem provocado a clandestinidade na realização de celebrações e a participação de alguns artistas pela necessidade de trabalhar e se sustentar. Um deles, que não quis que o nome fosse citado na matéria, reclama que não há ajuda nenhuma no ano mais difícil da vida de quem precisa do público.
Em Valença, Fabrício Lemos (PP) encampou a luta destes que, sem exercer seus ofícios, pediram socorro. O vereador fez a indicação à gestão municipal, na sessão do dia 23 de março, de um suporte emergencial municipal de amparo ao setor de eventos. A proposta do presidente da Câmara ainda não teve resposta do Prefeito Jairo Baptista. Em referência às tradições culturais da cidade, o nome do programa poderia ser, inclusive, “Amparo”.

Postagem do dia 23 de março do Vereador Fabrício Lemos
Link: https://www.instagram.com/p/CMxadSTD8y4/?igshid=1g5rmdky2i12q
Em contato com Fabrício, ele disse que muitos trabalhadores da área tem procurado o legislativo para solicitar apoio e destacou que o setor de eventos merece uma atenção maior por parte das autoridades numa cidade de efervescência cultural e celeiro de talentos. Para ele, o Executivo vai olhar atentamente as expectativas da categoria, atendendo a sua indicação protocolada em março e completou: “A classe tem no entretenimento o seu ganha-pão, enfrentou muitos obstáculos com os eventos interrompidos inesperadamente e urge a assistência do poder público”.
Nossa equipe enviou o questionamento do músico entrevistado que é o mesmo que o Vereador Fabrício Lemos pleiteou na Casa Legislativa e aguarda posição da Prefeitura de Valença.
Na Bahia, também em março, com a curva crescente de infectados, o deputado Jacó (PT) também protocolou a indicação de um projeto nesse sentido, sendo que também aguardamos retorno do Governo do Estado.
Link: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=5489285627779306&substory_index=0&id=731837540190829

Os primeiros a parar e, provavelmente, os últimos a retornar, parecem ainda ainda estar invisíveis aos olhos dos governantes.

