13 de julho de 2024

30 de janeiro de 2024

Prefeito Hildécio Meireles fala sobre reação dos professores de Cairu à alteração do plano de carreira

"A classe ainda está reclamando de que?", disse o gestor municipal em entrevista na rádio Valença FM.

 

Na última sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Cairu, que aconteceu no mesmo dia da paralisação dos trabalhadores da Educação que participavam de uma assembleia para tratar pautas da categoria, o executivo municipal enviou um projeto de lei para alterar o plano de carreira do magistério, construído coletivamente no ano de 2010, quando Hildécio era prefeito do município.

Segundo informações da APLB, enquanto a diretoria esperava o início de um reunião com o prefeito Hildécio Meireles para tratar de algumas reivindicações, a votação acontecia no plenário da casa legislativa sem o conhecimento do sindicato.

Com a surpresa da tratativa pela Câmara de um tema de interesse dos educadores de Cairu,  encaminhada, em regime de urgência, sem nenhum alinhamento sobre a votação com o sindicato, os representantes da Educação, após tomar conhecimento, saíram às pressas em direção à Câmara para tentar evitar que a matéria fosse votada pelos vereadores, mas já estava em andamento, capitaneado pelo Secretário Municipal de Governo, Igor Gomes (Luís Alberto), que foi exonerado do cargo e retornou ao legislativo para conduzir a polêmica sessão e defender os argumentos da gestão.

Diego Meireles, o presidente da Câmara, que é sobrinho e também da base política prefeito, deu o lugar de protagonista para que Igor se pronunciasse na tribuna, tomando a maior parte do tempo no pequeno e no grande expediente na defesa das pautas encaminhadas.

O plenário ficou lotado de servidores da Educação. Alguns se manifestavam, protestando com gritos e vaias pelo posicionamento de parte dos edis enquanto tentavam justificar que a mudança era benéfica ao município, sendo um “sacrifício necessário”.

Alguns trabalhadores, em contato com a nossa redação, acusaram a Câmara de suspender a transmissão ao vivo durante momentos mais tensos, a exemplo de quando uma servidora tomou a palavra subindo no palco, bem próximo aos vereadores, para falar. Em outros momentos, a sessão também foi interrompida para quem estava assistindo de casa, pela Internet, como mostra a imagem abaixo:

 

A professora Salete Lucena, que faz parte da diretoria da APLB Costa do Dendê e professor Áudio Barbosa, que coordena o Núcleo Cairu fez um discurso na tribuna sobre terem sido surpreendidos com o projeto de lei que alterou a remuneração dos interníveis, mas a votação foi concluída e os vereadores seguiram para a próxima pauta.

De acordo com a APLB, o cumprimento do piso salarial dos professores estava em fase de negociação com a gestão municipal que condicionava o pagamento ao corte de direitos adquiridos pela classe. 

Além disso, nas conversas entre o sindicato e a Prefeitura, outras reivindicações também eram tratadas como a concessão do transporte para os funcionários que residem em Valença, cortesia arcada há anos pelo município.

Na segunda edição do Programa Ligação Direta desta terça-feira (22), Hildécio disse que abriu diálogo com a categoria, através da Secretária de Educação, Caroline Oliveira, e também no seu gabinete, expondo a situação financeira e fiscal do município, mas que a APLB rechaçou as propostas apresentadas, não abrindo mão do pagamento do reajuste linear do piso de 33,24%.

Segundo o prefeito, ele aceitou pagar o piso, mas teve que mudar o plano de carreira para possibilitar reajuste também a outros funcionários, mais lá na frente. “Fizemos um estudo apurado da situação. Para ser possível pagar o piso, fizemos uma pequena alteração: entre o nível 1 e 2 mudou o percentual de 35% para 25% (…) Você chega a atingir 90% de aumento acima do piso nesse avanço quando muda de nível. Ou seja, todos os professores, de todos os níveis, terão um percentual de 18% acima do IPC acumulado. Ou seja, nós temos o reajuste como eles queriam: 33,24% para a classe inicial que termina refletindo em toda a classe na medida em que você muda de nível e tem esses percentuais que vão se acumulando”.

Ainda segundo Hildécio, ele pretende aumentar os salários de outras classes:

“Fizemos isso pensando em curto, médio e longo prazo para poder contemplar não só esta categoria”, completou.

Sobre os ânimos exaltados na sessão e a revolta dos professores postadas em redes sociais, o prefeito disse não entender os motivos, já que considera que foi para o bem da própria classe.

“Estou sem saber porque tanta reclamação. Nosso plano de carreira é um dos mais vantajosos da região. Só o nível 2 de Cairu que recebe menos do que Valença. Ainda estão reclamando de que? Até agora não estou entendendo”, disse.

Ele ainda ressaltou que os professores de Camamu festejaram o pagamento do piso, enquanto os de Cairu estão criticando. “Fizemos bem melhor que o prefeito Enoc fez”.

Na sessão, 9 dos 11 vereadores votaram a favor do projeto enviado pelo prefeito. Alguns deles não fizeram nenhum discurso sobre o assunto, apenas declarando “favorável” ou “aprovo” ou “mantenho meu voto”.

O prefeito de Cairu defendeu os parlamentares que aceitaram a mudança no plano de carreira e disse que ele deu a palavra final:

“Não reclamem com eles. Fui eu quem mandei! Os vereadores estão sendo crucificados por não defenderem o interesse de 208 professores  enquanto nós temos ainda mais 1.129 funcionários. Eu tive apoio de 9 dos 11 vereadores que se preocuparam com a realidade do município no presente e no futuro. Foram esses vereadores responsáveis por solicitar a viabilidade de estudo para dar reajuste aos demais funcionários, ainda este ano, no mais tardar, creio eu, no mês de julho”.

O gestor ainda salientou que tem que ser cauteloso em relação ao limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

“85% dos recursos do Fundeb serão consumidos com folha de pessoal. Precisamos observar o limite dos gastos de pessoal se não serei condenado, com rejeição de contas”.

A APLB informou que vai consultar seu setor jurídico para tomar as providências, na tentativa de reverter a aprovação da lei, que, segundo a presidente da Delegacia Costa do Dendê, Luciene Chaves, é inconstitucional e imoral, pois “qualquer mudança no plano deve ser dialogada com a categoria”.

Ela ainda disse que paira no ar um certo receio que parece impedir alguns profissionais da Educação de se comprometer. “Nas Assembleias, alguns colegas fazem discursos criticando as posturas da gestão e logo depois pedem para retirar seus nomes da ata, de modo que não fique registrada a sua indignação. É constrangedor o que aconteceu em Cairu, mas a luta continua!”

Nas redes sociais, diversas publicações de professores da rede municipal de Cairu demonstravam indignação.

“Estão retirando direitos adquiridos na calada da noite”, postou uma professora.

 

Um card com a frase: “Luto pela Educação de Cairu” circulou nos perfis:

 

 

Outro card foi compartilhado pelas redes sociais com o título: “Vereadores de Cairu que são contra os professores”, expôs as fotos os 9 que votaram a favor do projeto.

Outra docente publicou um longo texto destacando que, para o professor, a mudança de nível e suas vantagens são fruto de muito esforço:

Um líder comunitário também se manifestou:

“O golpe e os golpeados da Educação de Cairu”, publicou outra professora da rede:

 

O Núcleo Cairu da APLB divulgou Nota de Repúdio em seus perfis oficiais:

Já a Prefeitura de Cairu postou que a Educação é propriedade da gestão, que nunca se investiu tanto no ensino cairusense e que responde as acusações da APLB com transparência.

O Instagram da Prefeitura teve a opção de comentários desativada na postagem.

 

Para assistir a sessão na íntegra, clique no link abaixo: 

 

 

1 comentário
  1. Justiça Diz

    Esses professores querem mais o que? São os mais beneficiados em tudo. E para os outros funcionários não vem nada! Todo mundo em casa, sem pisar na escola, sem ouvir choro de criança, sem acordar cedo pra pegar transporte, só em casa de Boa, ganhando o salário integral por quase 3 anos!!! Tá certo o prefeito.

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