14 de julho de 2024

30 de janeiro de 2024

Wagner desintegrou a base aliada?

Quem avisa, amigo é: bastidores dizem que o senador petista alertou Rui sobre pretenções de Leão caso assumisse governo e recebeu a reação: "Tô ligado"!

 

O vice governador João Leão foi rápido, como um membro de um casal que termina o relacionamento e rapidamente aparece com outro.

A sensação é que, claro, já rolava alguma coisa antes do término e não tinha sentimento sincero.

Horas depois de anunciar o rompimento da base aliada governista, Leão já postou foto com ACM Neto e já fez legendas com declarações. Foi tipo a letra de Medo Bobo, de Maiara e Maraísa, que diz: “quanto amor guardado tanto tempo. E a gente se prendendo à toa, por conta de outra pessoa…”

Mas os bastidores dizem que o governador Rui e aliados não estão bancando os traídos nem cantando músicas de sofrência. Políticos de dentro da cozinha do PT dizem que já sabiam o que iria acontecer: quando Leão assumisse o governo do Estado, expectativa criada por ele e frustrada logo em seguida, ficaria com a máquina na mão e declararia apoio ao candidato do União Brasil mesmo assim. Mas aí com o poder, o golpe seria forte, talvez, fatal.

Cláudio Cajado, que é presidente nacional do PP,  partido de Leão, foi alçado ao posto exatamente para cumprir essa missão de voltar aos braços de sua base política, que ele saiu temporária e estrategicamente. Com raízes carlistas, o deputado federal recebeu o bastão para comandar o partido nacionalmente começando pela terra mãe do Brasil, a Bahia, as articulações entre o União Brasil e o PL de Bolsonaro, afinados nacionalmente, já que o partido que ACM Neto é presidente nacional, vota com o governo federal em todas as pautas na Câmara e no Senado.

Nesse meio, João Roma pode ser uma cortina de fumaça ou boi de piranha, porque a eleição nacional traça um caminho real de polarização e os dois lados (na campanha presidencial) sabem que devem se fortalecer, não se dividir.

Antes do desembarque dos progressistas, Cajado declarou à imprensa que ficaria com o candidato de Rui aqui e Bolsonaro lá, já preparando o terreno e sugerindo um palanque dividido, que não tinha como acontecer. Não dá pra rezar e xingar a Deus ao mesmo tempo. Água e óleo não se misturam. Todos sabem que o palanque de Rui é de Lula na Bahia e não tem negociação sobre isso.

Já Leão alega que Wagner foi o pivô da relação, só que o galego não nasceu ontem na política e estava de olhos azuis bem abertos para evitar a separação na hora errada. Para o senador, a relação duvidosa e sem fidelidade não poderia ser prolongada. Ele expôs os riscos e fez declarações que ajudaram Leão a revelar seus relacionamentos ocultos, agora revelados.

Wagner foi como aquele amigo que avisa: seu parceiro está com outra pessoa e você pode não está enxergando. Como um bom baiano, ele disse: se saia! Eis que Rui respondeu com um: “tô ligado”! Afinados, seguem cúmplices e dedicados ao projeto que construíram.

E quem se mandou foi o próprio Leão, antes, com o caminho aberto pelo ex-governador, talvez, de propósito, ou seja, de caso pensado, afinal, numa convivência de 14 anos, dá pra conhecer bem a pessoa e como ela vai reagir. Aliás, é bom frisar que Leão veio do grupo de ACM e aderiu a Wagner após 1 ano do governo petista.

Na análise do ex presidente do PT Bahia, Jonas Paulo, o alto escalão do PP está instalado de corpo e alma no comando político do Governo Bolsonaro tendo Ciro Nogueira, presidente nacional licenciado do PP, o atual ministro-chefe da Casa Civil. De olho na Bahia, 4° Colégio eleitoral do país, os pepistas baianos não iriam perder recursos do fundo eleitoral que são distribuídos nacionalmente.

Wagner não é menino! Ele quebrou a hegemonia de ACM, o avô, e depois lançou Rui, pouco conhecido na época, elegeu todos os senadores do Estado de lá pra cá, sempre teve maioria na ALBA e na Câmara Federal e hoje, os dois são líderes de um grupo político que ganhou a eleição 4 vezes no primeiro turno, inclusive algumas delas consideradas “sem chance”. Vale destacar que agora a hegemonia é do projeto que está gerindo a Bahia e pode chegar a hora da revanche.

Na separação, os bens ainda estão sendo divididos. Nenhum dos lados sabe quem vai ficar com mais ou menos, por enquanto. O desquite, não amigável, não tem, ainda, porcentagens claras. Ambos afirmam que rolou até faca no pescoço. Então, muitos capítulos ainda vão rolar debaixo da Ponte Salvador-Itaparica, que Leão, no encontro com Neto, chamou de filha e quer ficar com a guarda.

Como recordar é viver, lembremos de um casamento desfeito antes, que todos achavam ser terrível e desastroso para o PT da Bahia: com o então PMDB baiano. E ali, ainda era pior, porque havia alinhamento nacional de ambos, com racha no Estado. Na época, um dos lados sacudiu a poeira e deu a volta por cima.

Agora, vamos aguardar para saber se amante não tem lar mesmo, porque pode ser que a nova casa, resultado da troca, seja, para o novo cônjuge de Leão, o Palácio de Ondina. Ou não…

1 comentário
  1. Ricardo Vidal Diz

    Boa análise. Muito do que acontece na política ocorre nos bastidores. O que aparece como novidade nos holofotes já era fofoca velha que se contava na escuridão dos corredores. O importante, agora, é pensar no futuro. No divórcio entre o PP baiano e o PT, quem sairá com a maioria dos votos? Como recompor a base petista para as eleições desse ano? Cenas dos próximos capítulos…

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