10 de agosto de 2022

Repassar Fake News virou hábito

Por Luana Figueiredo

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Por Luana Figueiredo

 

 

“A polarização faz a pessoa adotar a narrativa por gostar do que está lendo, não pela verdade”.

Vi essa frase e percebo que as pessoas “querem” que aquilo que estão lendo proceda pra reafirmar seus posicionamentos políticos. Quando se deparam com o título de uma postagem, por exemplo, reagem com um “viu aí?” e já passam pra frente sem checar a veracidade da informação. Tem também os que só pelo título já dizem que se trata de mentiras publicadas, sem ao menos ler a matéria para checar ou se dar o trabalho de fazer uma pesquisa mais aprofundada, que dura apenas alguns segundos.

É uma espécie de “economia de atenção” ao que realmente importa: se o texto contém mentiras ou se a notícia tem fundamento. Mesmo sem ter certeza, agem na ânsia de espalhar, no desejo incontrolável de estarem certos.

Tenho muitos amigos que repassam “montagens” feitas por quem acompanha suas opiniões. São imagens feitas no computador de casa de qualquer pessoa e sem nenhuma relação com os fatos. Com a popularização dos meios de comunicação, a propagação de notícias falsas ganhou forma. Os boatos de internet tem poder de, repetidos e vistos milhares ou milhões de vezes, parecerem reais.

Não é crime pensar de uma forma, ter uma determinada opinião, mas passar um dado falso tem consequências e desinforma. Propagar o que não se tem certeza é perigoso, apesar de parecer inofensivo, pois espalham-se rapidamente causando o consumo de um conteúdo fraudulento ou distorcido, com o propósito de confundir e prejudicar a reflexão sobre a realidade. Isso afeta a democracia, o julgamento popular e pode se desdobrar também em tragédias, como no caso de Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, que era uma simples dona de casa, trabalhadora, casada, mãe de dois filhos, e foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças, cujo retrato falado, que havia sido feito dois anos antes, estava circulando nas redes sociais, mas se tratava de outra pessoa. Fabiane foi linchada até a morte por moradores da cidade de Guarujá.

O problema das Fake News é exatamente esse: a consequência da viralização, independente do lado que as solta. Sem base em nada concreto, na dúvida, não disseminar é a melhor opção.

Nessa nova era, quando poderíamos estar falando que evoluímos, surgiu a pior das epidemias: a de uma doença que deveria estar no atestado de óbito de Fabiane. Apesar de não ser a infectada, ela morreu assassinada em decorrência das Fake News.

Leia sobre o caso de Fabiane: 

“Mulher morta após boato em rede social é enterrada em Guarujá, SP | G1”

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/05/mulher-morta-apos-boato-em-rede-social-e-enterrada-nao-vou-aguentar.html

 

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