11 de agosto de 2022

Bolsonaro faz live e não apresenta as provas de fraude nas eleições

Mesmo tendo convocado a imprensa para anunciar supostas comprovações de que as urnas foram corrompidas nas eleições passadas, o presidente manteve discursos teóricos sobre suspeitas contra o TSE e mostrou vídeos.

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Na live semanal que transmite toda quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro convocou uma entrevista coletiva com a imprensa anunciando que essa seria a “Live da Verdade”, quando apresentaria provas de que as eleições de 2014, que elegeu Dilma Rousseff (PT) como presidente contra Aécio Neves (PSDB) foi fraudada.

No entanto, durante live transmitida dessa noite (29), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu não ter provas de que haja qualquer tipo de fraude na urna eletrônica.

“Não temos provas, para deixar bem claro, mas há indícios. Quem garante que isso não irá acontecer nas eleições para deputados e senadores”, disse Bolsonaro.

A expectativa em torno da live era de que ele fizesse “uma surpresa” como havia anunciado, mas isso não aconteceu.

O TSE chegou a rebater o presidente quando ele declarou que a apuração seria realizada em uma sala fechada com a presença  de poucas pessoas, garantindo que o sistema é seguro e tem diversas formas de auditoria.

As suspeitas apresentadas pelo presidente da República, porém, foram vídeos que já circulam na internet desde as eleições de 2018 em que eleitores afirmam terem tido problemas para votar em seus candidatos, além de um vídeo de um youtuber sobre o código-fonte da urna eletrônica, que, no entanto, já foi rebatido pelo TSE como falso.

Bolsonaro disse na transmissão ao vivo ter relatos de pessoas que tentaram votar em seu número na eleição presidencial de 2018 e foram impedidos pela urna, mas o TSE diz que a pessoa tentou votar na eleição de governador e teria confundido.

Em outro momento, o presidente disse que só três países no mundo usam a urna eletrônica, entre eles o Butão. Sobre isso, o TSE esclarece que 23 países usam urnas com tecnologia eletrônica em suas eleições gerais. Outras 18 nações usam a urna em pleitos regionais. “Entre os países estão o Canadá, a Índia e a França, além dos Estados Unidos, que têm urnas eletrônicas em alguns estados”, diz um trecho da checagem do TSE.

Em vários momentos da live, Bolsonaro declarou que a apuração dos votos será feita “pelos mesmos que tornaram o ex-presidente Lula (PT) elegível e que o tiraram da cadeia”. No entanto, a apuração dos votos é feita de forma pública, como explica o TSE, porque os boletins de urna são emitidos imediatamente em 4 vias impressas  em cada sessão eleitoral sendo que as informações podem ser prontamente conferidas pelos partidos.

Na transmissão feita inclusive pela TV Brasil, o presidente pediu que os que acham que não existe fraude devem provar. “Os que me acusam de não apresentar provas, eu devolvo a acusação. Apresente provas de que ele não é fraudável. Não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas”, declarou ele. ”

Jair foi eleito através desse mesmo sistema, entre 1991 e 2018, por sete mandatos como deputado federal, e um como presidente. Durante a live, ele apresentou especialistas que trouxeram uma série de vídeos. Um deles era protagonizado pelo astrólogo Alexandre Chut.

A live foi marcada pela afirmação do próprio Bolsonaro de que não há provas de fraudes. O governo federal tem tentado implantar o voto impresso já para a eleição de 2022.

 

O voto eletrônico, defendido pelo ministro do STF e presidente do TSE, Luís Roberto Barroso: ” já é um sistema auditável”, segundo ele.

“O discurso de que ‘se eu perder houve fraude’ é um discurso de quem não aceita a democracia. Porque a alternância no poder é um pressuposto dos regimes democráticos”, disse o ministro, que voltou a defender o processo eleitoral atual. “É um sistema que consagra a democracia, por que uma das características da democracia é a alternância de poder. É reconhecer a possibilidade de que quem pensa diferente pode vencer”, falou.

Sobre as falas de Bolsonaro de que Aécio Neves (PSDB), então candidato a presidente em 2014, teria vencido a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na eleição, Barroso lembrou: “o partido do candidato derrotado pediu auditoria do sistema, que foi feita, e o próprio candidato reconhece que não houve fraude. Isso não aconteceu. Nunca se documentou, porque o dia que se documentar, o papel da Justiça Eleitoral é imediatamente apurar”.

Sobre um hacker que estaria preso “por invadir o TSE”, o tribunal esclarece que houve uma tentativa de invasão do site e não das urnas, que funcionam 100% off-line.

A GloboNews mostrou a posição do Ministro Luís Roberto Barroso, Presidente do Tribunal Superior Eleitoral:

Clique para assistir a live completa de Bolsonaro:

https://www.facebook.com/jairmessias.bolsonaro/videos/513302749933648/

 

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