OS ERROS DE PORTUGUÊS MAIS FREQUENTES NAS REDES SOCIAIS

Por: Rosângela Góes

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Quem não lida com a escrita diariamente não se lembra das regras. E, mesmo que as pessoas estejam dando mais opiniões nas redes sociais, é uma escrita rápida. Você não tem muito tempo para pensar sobre como escrever.

Ter um domínio de nossa língua nativa é muito importante, pois falar e escrever são nossa principal vitrine, sobretudo no mundo do trabalho.

A pedido da BBC Brasil, a equipe de linguistas e educadores do Babbel fez um levantamento dos erros mais recorrentes entre os falantes de língua portuguesa no ano de 2017. A relação foi analisada pela professora Rosângela Góes, que acrescentou algumas inadequações no uso do Português que muita gente comete e não sabe.

Confira!

1. “Entre eu e você”

O correto, segundo os especialistas, é usar “entre mim e você” ou “entre mim e ti”. Depois de preposição, deve-se usar “mim” ou “ti”.

Por exemplo: Entre mim e você não há segredos.

2. “Mal” ou “mau”

“Mal” é o oposto de “bem”, enquanto que “mau” é o contrário de “bom”. Na dúvida sobre qual usar? Os especialistas recomendam substituir o advérbio pelo seu oposto na frase e ver qual faz mais sentido.

Por exemplo: Ela acordou de bom humor; Ela acordou de mau humor.

3. “Há ou “a”

“Há”, do verbo haver, indica passado e pode ser substituído por “faz”.

Por exemplo: Nos conhecemos há dez anos; Nos conhecemos faz dez anos.

Mas o “a” faz referência à distância ou a um momento no futuro.

Por exemplo: O hospital mais próximo fica a 15 quilômetros; As eleições presidenciais acontecerão daqui a alguns meses.

4. “Há muitos anos”, “muitos anos atrás” ou “há muitos anos atrás”

Usar “Há” e “atrás” na mesma frase é uma redundância, já que ambas indicam passado. O correto é usar um ou outro.

Por exemplo: A erosão da encosta começou há muito tempo; O romance começou muito tempo atrás.

Sim, isso quer dizer que a música Eu nasci há dez mil anos atrás, de Raul Seixas, está incorreta.

5. “Tem” ou “têm”

Tanto “tem” como “têm” fazem parte da conjugação do verbo “ter” no presente. Mas o primeiro é usado no singular, e o segundo no plural.

Por exemplo: Você tem medo de mudança; Eles têm medo de mudança.

6. “Para mim” ou “para eu”

Os dois podem estar certos, mas, se você vai continuar a frase com um verbo, deve usar “para eu”.

Por exemplo: Mariana trouxe bolo para mim; Caio pediu para eu curtir as fotos dele.

7. “Impresso” ou “imprimido”

A regra é simples: com os verbos “ser” e “estar”, use “impresso”.

Por exemplo: Camisetas com o slogan do grupo foram impressas para a manifestação.

Mas com os verbos “ter” e “haver”, pode usar “imprimido”.

Por exemplo: Só quando cheguei ao trabalho percebi que tinha imprimido o documento errado.

8. “Vir”, “Ver” e “Vier”

A conjugação desses verbos pode causar confusão em algumas situações, como por exemplo no futuro do subjuntivo. O correto é, por exemplo, “quando você o vir”, e não “quando você o ver”.

Já no caso do verbo “ir”, a conjugação correta deste tempo verbal é “quando eu vier”, e não “quando eu vir”.

9. “Aquele” com ou sem crase

Em vez de escrever “a aquele”, “a aqueles”, “a aquela”, “a aquelas” e “a aquilo”, use “àquele”, “àqueles”, “àquela”, “àquelas” e “àquilo”.

Por exemplo: Maíra deu o número de telefone dela àquele rapaz

10. “Ao invés de” ou “em vez de”

“Ao invés de” significa “ao contrário” e deve ser usado apenas para expressar oposição.

Por exemplo: Ao invés de virar à direita, virei à esquerda.

Já “em vez de” tem um significado mais abrangente e é usado principalmente como a expressão “no lugar de”. Mas ele também pode ser usado para exprimir oposição. Por isso, os linguistas recomendam usar “em vez de” caso esteja na dúvida.

Por exemplo: Em vez de ir de ônibus para a escola, fui de bicicleta.

11. Mas e Mais

Mas = porém (indica oposição, o contrário) Por exemplo: A gente ia sair, mas ficou tarde.

Mais é antônimo de Menos, indica quantidade, acréscimo.
Por exemplo: Haverá mais 2 parcelas do auxílio emergencial.

12. Pobrema! Poblema!
Nossa! Esse é de doer. O “pobrema” é que o problema, quase sempre, é na língua, é na dicção e aí é difícil de corrigir.
Jamais pronuncie “pobrema” ou “poblema”. Esforce-se para falar corretamente! Ande na rua falando e treinando sozinho, mas corrija este problema!

13. Menas!
Ah meu Deus! “Menas” chega a dar um ‘neon’ no estômago! “Menas” não existe. Esta palavra sempre será escrita e falada dessa forma: “menos”.
Não importa qual seja a palavra que vem depois, o correto é usar sempre o “menos”. Ele é um advérbio que não sofre flexão de gênero, ou seja, nunca passa para o feminino.
Assim, o correto é menos gente, menos pessoas, menos chances, menos ansiosa.

14. Meia, meio
Eu estou “meia” cansada hoje! Sentimos lhe informar, mas ninguém fica “meia” cansada. Nem “meia” chateada, nem “meia” feia, nem “meia” sei-lá-o-quê!
Ninguém fica “meia” nada. Eu estou meio cansada. Se eu falar “meia” significa que metade do meu corpo é cansado e a outra metade “tá tranquilo, tá favorável”.
Entenderam, divergentes?!

15. A gente vamos!
Olhem, “A gente” nunca vamos a algum lugar. “A gente” sempre “vai” a algum lugar! Se você vai sozinho, nós lamentamos do fundo do coração, mas “a gente” nunca vamos … Este termo é sempre conjugado na terceira pessoa.

16. “Vir de encontro” e “Vir ao encontro”.
Quando as ideias de alguém “vão de encontro com as suas”, significa que vocês estão se trombando um no outro, se batendo, se colidindo.

O correto é sempre: “O que ele pensa vai muito ao encontro do que eu penso”, significando assim que vocês pensam de forma semelhante.
Vejam alguns exemplos:
Correto: “Os objetivos da professora sempre vão ao encontro dos interesses dos alunos”;
Errado: “Os objetivos da professora vão sempre de encontro aos interesses dos alunos”; (porque desta forma significa que os objetivos da professora estão “batendo de frente” com os interesses dos alunos. E isso é o contrário do que se queria afirmar.

Mais atenção com a língua! Procure sempre falar corretamente. Pesquise, informe-se!

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Rosângela Góes de Queiroz Figueiredo é professora da Rede Estadual de Ensino da Bahia, graduada em Letras e especialista em Avaliação, escritora, membro da Academia de Letras do Recôncavo-ALER, e da Academia de Educação, Letras e Artes de Valença-AVELA.

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