21 de janeiro de 2022

Patrimônio ignorado

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Quem chega a Taperoá, se encanta com a Praça no centro da cidade. Casarões seculares e o prédio de Câmara e Cadeia inevitavelmente conduzem o visitante para as nossas raízes históricas. Assim também é em Cairu, um “brinco” com sua pictórica “Rua Direita”, onde nenhum equipamento de som pode ser ligado para não abalar a memória coletiva da primogênita da Costa do Dendê. Sem falar do Convento franciscano de Santo Antônio, uma relíquia do Brasil colonial na Casa do Sol – Cairu.

Nazaré, cidade gêmea de Valença, ambas de 10 de novembro de 1849, se apresenta com seu patrimônio arquitetônico bem preservado, bem como Taperoá e Cairu, enquanto Valença o tem abandonado insistentemente, numa negligência inexplicável gestão após gestão. A Casa de Câmara e Cadeia, uma edificação rara do tempo em que o município era uma vila de Portugal, em 1799, agoniza em meio à indiferença sobre seu valor histórico. O Teatro Municipal vive a negligência de uma reforma sem fim que o torna um paciente terminal. O prédio da Câmara de Vereadores e antigo Paço Municipal, símbolo da beleza cênica do Cais do Porto e de Valença, pede socorro e segue interditado. A igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus adoece a cada dia com estrutura definhando. Muitos outros monumentos já foram, inacreditavelmente, ao chão ou vivem escorados no silêncio e na invisibilidade política.

Isso numa cidade turística, a sede da Costa do Dendê e portal do turismo regional.

Que Valença se acorde para o aproveitamento desses prédios para uso de repartições públicas e/ou privadas. Estas, como contrapartida ao investimento em reforma e conservação dos imóveis. Todos têm a ganhar. Do contrário, até hoje Valença só perde em ignorar os seus tesouros.

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